A leitura dos espaços sagrados como territórios de expressão estética, espiritual e política ganhou contornos ainda mais profundos na noite de quinta-feira (16/04), durante o lançamento do livro “Confaloni: O Pintor Profeta – a Teologia nas suas Obras Sacras”, do professor doutor Joel Antônio Ferreira, na Sede da Apuc (Área 2 da PUC Goiás). O encontro, que já deixa saudades, foi mais do que uma agenda cultural: tornou-se uma experiência marcante — uma verdadeira aula sobre arte, fé e compromisso social.
Patrocinada pelo Programa Institucional de Apoio à Pesquisa da PUC Goiás, a obra revisita a trajetória de Frei Confaloni a partir de um olhar sensível e rigoroso sobre sua produção sacra. Historicamente reconhecido como um dos fundadores da Escola de Arquitetura da instituição e frequentemente associado à arte “profana”, o artista é reposicionado no livro como um intérprete potente das tensões sociais por meio da estética religiosa.
"Confaloni é amplamente reconhecido por sua contribuição à arte e à cultura em Goiás, mas é importante lembrar também seu papel fundamental na formação acadêmica: foi um dos fundadores do Curso de Arquitetura da PUC Goiás, deixando um legado que atravessa gerações de profissionais e ajudando a consolidar a Universidade como espaço de criação, pensamento e compromisso social.
E é justamente nesse ponto que a reflexão proposta por esta obra ganha ainda mais relevância. Ao revisitarmos o legado de Confaloni, somos chamados também a pensar sobre o seu significado para a democracia. Sua produção artística, especialmente a sacra, não se limita à estética ou à devoção: ela incorpora vozes historicamente silenciadas e as coloca no centro da narrativa. Ao representar povos indígenas, pessoas negras e roceiros, Confaloni afirma, por meio da arte, a dignidade humana e o direito à visibilidade — elementos fundamentais para qualquer sociedade democrática", declarou a vice-presidente da Apuc, Professora Neire Mendonça, na abertura do evento.
Durante o evento, o público foi conduzido por uma reflexão instigante sobre os painéis da Igreja São Judas Tadeu, em Goiânia, e da Igreja Nossa Senhora das Graças, em Araraquara (SP). Mais do que expressão de fé, as obras revelam uma linguagem visual de denúncia e resistência, na qual ganham protagonismo figuras historicamente marginalizadas, como populações indígenas, negras e trabalhadores do campo.
A noite evidenciou, com riqueza de argumentos e imagens, como a arte sacra pode ressignificar os espaços religiosos, incorporando dimensões políticas, culturais e humanitárias ao projeto arquitetônico. Com 188 páginas e 33 imagens — muitas em página dupla —, a publicação reforça esse convite à contemplação atenta da materialidade, da composição e das narrativas visuais presentes nesses ambientes.
Para quem esteve presente, o lançamento representou a ampliação do olhar sobre a arquitetura para além da forma e da função. Ficou a sensação de ter participado de um momento raro: um encontro que uniu conhecimento, sensibilidade e crítica — e que certamente permanecerá como referência no debate sobre arte, teologia e sociedade.
Veja, a seguir, o link de algumas matérias veiculadas sobre o livro na imprensa
https://aredacao.com.br/livro-revisita-obra-sacra-de-frei-confaloni-sob-perspectiva-teologica-e-social/
https://onzedemaio.com.br/livro-revisita-obra-sacra-de-confaloni-sob-perspectiva-teologica-e-social/\
https://aparecidanet.com.br/livro-o-pintor-profeta-revisita-a-obra-do-frei-confaloni/
https://contee.org.br/arquitetura-arte-sacra-e-critica-social-marcam-lancamento-de-obra-inedita-sobre-confaloni-na-apuc/
https://www.youtube.com/watch?v=HUJHWK7azHE
