Chegamos a 2026 com um cenário de profundos desafios trabalhistas, institucionais e pedagógicos. No discurso oficial, a Universidade projeta modernização administrativa e transformação digital. Na realidade vivida em sala de aula, o que se impõe é a sobrecarga de trabalho, insegurança profissional e fechamento sistemático ao diálogo com a categoria docente.
A ausência de uma Convenção Coletiva de Trabalho vigente, a defasagem salarial acumulada, a insegurança contratual e práticas de gestão que fragilizam direitos históricos revelam a necessidade urgente da nossa organização, unidade e mobilização.
Não há excelência acadêmica sem valorização do trabalho docente. Defender direitos é compromisso com a dignidade profissional, a qualidade do ensino e com a função social da Universidade.
Modernização sem diálogo: decisões de cima para baixo
Nos últimos anos, a Administração Superior tem implementado mudanças estruturais e administrativas sem a devida participação dos(as) docentes. Projetos de reorganização acadêmica, redefinição de fluxos de trabalho, adoção de novas plataformas digitais e redefinições de metas institucionais têm sido apresentadas unilateralmente, sem diálogo e construção coletiva.
Sobrecarga, adoecimento e invisibilização do trabalho docente
Em 2026, a perspectiva é de que o cotidiano docente siga marcado por acúmulo de funções: ensino, orientação, pesquisa, extensão, produção acadêmica, participação em avaliações institucionais, adaptação a sistemas digitais e atendimento permanente aos(às) estudantes. Tudo isso, sem a correspondente valorização salarial e sem políticas consistentes de cuidado com a saúde mental.
A intensificação do trabalho, somada à pressão por produtividade e resultados, tem provocado adoecimento físico e emocional, tema frequentemente negligenciado pela Administração Superior. Assédio moral, metas inalcançáveis e comunicação verticalizada tornam-se parte de uma rotina que corrói o sentido do trabalho docente.
Inteligência artificial e novas tecnologias
A incorporação de tecnologias digitais e ferramentas de inteligência artificial no ensino tem sido apresentada como nevitável e positiva. No entanto, falta formação adequada, tempo institucionalizado para capacitação e reconhecimento desse esforço adicional.
Mais uma vez, a gestão cobra resultados, mas não oferece condições satisfatórias para que essas transformações ocorram de forma pedagógica e humanizada.
Carreira docente fragilizada e insegurança profissional
Outro ponto crítico em 2026 é a ausência de uma política clara e negociada de carreira docente. Contratações pontuais, ausência de progressão estruturada, insegurança contratual e falta de incentivos à qualificação reforçam a sensação de instabilidade e desvalorização.
Não há excelência acadêmica sem Professores(as) valorizados(as), com condições dignas de trabalho, estabilidade e perspectivas reais de crescimento profissional.
A recusa ao diálogo como projeto de gestão
Talvez o aspecto mais grave do atual cenário seja a recusa sistemática da Administração Superior em dialogar com a entidade representativa dos (as) Professores(as). Ofícios sem resposta e a substituição do diálogo coletivo por comunicados unilaterais revelam uma concepção de gestão incompatível com os princípios democráticos. Essa postura não enfraquece somente a categoria docente — enfraquece a própria Universidade.
Mobilização é defesa da Universidade
Diante desse quadro, reafirmamos nossa postura de defesa da Universidade enquanto instituição e da categoria docente. Defender o(a) Professor(a) é defender a qualidade do ensino, a produção científica, a formação crítica dos(as) estudantes e o compromisso social da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
